Revista Saúde Brasil 7

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Revista Saúde Brasil
Ago / Set 2003
Ano 2 - Nr. 7

 

RECEITA

O direito à saúde reprodutiva


Silvana Chedid é diretora do Centro de Endoscopia Pélvica e Reprodução Humana do Hospital da Beneficiência Portuguesa e diretora das Sociedades Brasileiras de Reprodução Humana (SBRH) e de Reprodução Assistida

Quando fui convidada a escrever minha receita sobre como melhorar a saúde das comunidades, pensei na abrangência da palavra saúde. Em tudo o que ela significa e em tudo o que ela envolve.

Pensei primeiramente que saúde é um direito. Um direito de todos, em toda sua plenitude e em todos os seus aspectos. Além disso, que seu conceito é mais amplo do que a ausência de doença. Saúde é sinônimo de bem- estar físico, mental e espiritual, é sinônimo de possibilidade de crescimento, desenvolvimento e realização.

A amplitude do conceito de saúde nos leva a refletir sobre os vários aspectos envolvidos em sua promoção e manutenção e sobre sua própria abrangência. Nesse sentido, é fundamental situarmos o papel da Saúde Reprodutiva no bem-estar de cada indivíduo e da comunidade.

A Saúde Reprodutiva envolve aspectos primordiais da vida humana: a realização do homem e da mulher, a construção da família, o desenvolvimento da sexualidade e o crescimento do indivíduo.

Lamentavelmente a Saúde Reprodutiva não tem recebido a atenção que deveria nem tem sido considerada prioritária. As conseqüências dessa abordagem se traduzem em gestações não planejadas, não desejadas ou simplesmente não obtidas; famílias desestruturadas, desajuste na comunidade e desenvolvimento social deficiente.

A promoção da Saúde Reprodutiva na comunidade deveria visar inicialmente a melhora do acesso à informação. A desinformação leva a tabus e preconceitos que dificultam a vivência da sexualidade de uma forma segura e livre. A falta de informação e de educação levam freqüentemente a uma utilização inadequada ou à completa falta de uso dos métodos anticoncepcionais com uma conseqüente gravidez indesejada. Esta, por sua vez, carrega consigo outros problemas: desestruturação familiar, aumento da pobreza, aumento da criminalidade e do trabalho infantil, gravidez na adolescência e esterilização precoce, entre outros.

A desinformação leva também a um aumento da incidência de doenças sexualmente transmissíveis com todas as suas conseqüências: aumento da morbidade em geral, aumento da incidência de doença inflamatória pélvica e aumento da incidência de infertilidade.

Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio. No caso da Medicina Reprodutiva, a prevenção se faz através da informação e da educação. Felizmente a disseminação de informação pode ser feita dentro da própria comunidade por meio do treinamento de agentes de saúde e dos próprios membros da comunidade. Algumas poucas informações e medidas simples são suficientes, como esclarecimentos sobre utilização e indicações de métodos anticoncepcionais, ensinar as mulheres a se conhecerem melhor e identificarem mais facilmente sintomas das doenças sexualmente transmissíveis e aprenderem a explorar melhor sua sexualidade.

A informação vai também auxiliar os casais que enfrentam problemas de infertilidade a entender melhor os processos de concepção e as diferentes opções terapêuticas disponíveis e a terem seu(s) filho(s) por opção e não por acaso. Uma opção livre e consciente.

Que por meio da educação as pessoas encontrem ferramentas para alcançarem bem estar físico, mental e espiritual, crescimento, desenvolvimento e realização. Que elas tenham SAÚDE.