Revista Saúde Brasil 7

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Revista Saúde Brasil
Ago / Set 2003
Ano 2 - Nr. 7

 

DOR DE CABEÇA

Corte este pavio

Quando menos se espera,
a cabeça pode explodir


Dr Edgard Raffaelli Júnior, neurologista

A cefaléia, popularmente conhecida como dor de cabeça, incomoda muita gente, que perde dia de aula e trabalho, entre outros compromissos importantes, por conta da doença. No mundo, a cefaléia atinge 900 milhões de vítimas. E uma dor de cabeça mal tratada pode incapacitar a pessoa para as atividades simples da vida diária.

Existem duas categorias de dor de cabeça. “Há as primárias, em que a dor é a doença. E as secundárias, decorrentes de outras alterações de saúde, que variam de gripe à meningite”, explica o neurologista Dr. Edgard Raffaelli Júnior, presidente honorário da Sociedade Brasileira de Cefaléia.

O tratamento varia em função do tipo. As secundárias vão embora uma vez que a doença que a causa seja tratada. Já as primárias exigem trabalho de detetive do médico para que seja feito o diagnóstico e tratamento — há mais de 150 formas deste distúrbio — e parem de incomoda

A mais freqüente das dores de cabeça, a tensional episódica, como o nome diz, é causada pela tensão, podendo ser aliviada com um simples analgésico. Há outros gatilhos, como bebidas alcoólicas, chocolate e embutidos, que podem desencadear crises em pessoas predispostas.

Outra possibilidade é que ela surja por deficiência ocular. É que a pessoa, na tentativa de ver com nitidez, força os músculos da face. A correção visual, com o uso de óculos, lentes ou cirurgia, elimina o problema.

Contudo, quando a causa é primária, a dor surge em função de uma falha na química cerebral. Pode causar a cefaléia em salvas, que como os tiros seriados de um canhão pode levar à pior de todas as dores de cabeça, que dura de um a três meses!

Ou à enxaqueca, que incomoda seriamente 20% das mulheres e 10% dos homens. “Trata-se de uma síndrome com mais de 60 sintomas”, conta o neurologista. O que inclui formigamentos, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, aos ruídos e odores, dor nas pernas, taquicardia e zumbidos, entre outros.

Contra ela, analgésicos podem não ser suficientes. É preciso drogas que normalizem a ação dos neurotransmissores, prescritas pelo médico.

O tratamento exige persistência. É que há casos em que a solução leva de três a cinco anos. “A enxaqueca tem cura, basta buscar um especialista que saiba de fato tratá-la”, esclarece Dr. Raffaelli.

Por isso, se o incômodo se repetir mais do que duas a três vezes por mês, deve-se agendar uma consulta com um médico, que poderá avaliar o caso e indicar o melhor tratamento.

Sinal de alarme

Sentir dor de cabeça não é normal. Por isso, se o problema se manifestar com freqüência e intensidade, é preciso pedir orientação médica.

Isso porque, além das dores de cabeça primárias, que devem ser tratadas, o incômodo pode indicar outras doenças.

Pode ser uma gripe ou ter causas mais sérias, como meningite ou tumor cerebral. No primeiro caso, vem acompanhada de febres altas. No segundo, de visão dupla, entre outros sintomas.

Mais Informações

SBCE - Sociedade Brasileira de Cefaléia
Tel: (21) 2711-4766