Revista Saúde Brasil 5

Arquivo Revista Saúde Brasil

Revista Saúde Brasil
Abr / Mai 2003
Ano 1 - Nr. 5

HIPERTENSÃO

Um problema silencioso

Mesmo as pessoas que se sentem bem podem ter pressão alta

Ela normalmente não dá nenhum sinal. A pessoa se sente bem. Faz todas as atividades do dia-a-dia sem perceber nenhuma alteração importante na sua saúde. Mas, quando se mede a pressão, num exame de rotina qualquer, pode vir a má notícia. A pressão arterial está alta.


Armando da Rocha Nogueira

A hipertensão não possui muitos sintomas confiáveis. Apesar de ela causar, em algumas situações, dores de cabeça, problemas de vista, tontura ou falta de ar, na maioria das vezes, mesmo as pessoas com a pressão bastante elevada podem se sentir bem. É exatamente por isso que, pelo menos uma vez por ano, todos devem medir como está a pressão. E, a partir do momento que alguma alteração significativa for percebida pelo médico, este controle terá que ser mensal. “Precisamos conscientizar todos os profissionais de saúde que em todo atendimento deve ser verificada a pressão arterial. Toda vez que uma pessoa vai a um consultório médico ou ao posto de saúde ela deve ter a sua pressão aferida”, diz Dr. Armando da Rocha Nogueira, coordenador do Programa da Hipertensão Arterial do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro e segundo secretário da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

A pressão arterial normal em adultos, segundo o médico, é aquela que, quando medida, fica entre 13 e 8,5. Quando a pressão estiver seguidamente acima destes valores, a pessoa apresenta pressão alta.

Como a hipertensão não tem uma cura definitiva, apesar de poder ser controlada na maioria dos casos, é muito importante que ela seja percebida o mais cedo possível. Aproximadamente, 25% da pessoas que possuem pressão arterial elevada não sabem disto. No Brasil, segundo informa a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a prevalência da hiper tensão arterial é grande. Entre os adultos, de 30% a 35% da população tem a doença.

A pressão arterial, se não tratada de forma correta, provoca um risco bastante grande para os indivíduos. No caso de um portador de pressão elevada que esteja na meia idade, por exemplo, ele terá três vezes mais risco de desenvolver uma doença cardíaca e sete vezes mais risco de sofrer um derrame, que uma pessoa com a pressão arterial normal.

Prevenção
Não é verdade que as pessoas com pressão alta não podem praticar exercícios. Muito pelo contrário. Após tomar a medicação e controlar a pressão do sangue, a prática de atividades - como caminhada e natação – é uma boa aliada no combate à doença. O exercício moderado, e feito sob um acompanhamento correto, é uma grande ferramenta não apenas para o combate da pressão alta, mas também para o bom funcionamento do coração.

Além dos exercícios e da visita regular ao médico, a alimentação balanceada também é uma forma de conservar a saúde de forma geral e, também, a pressão em níveis normais. Muita gordura na alimentação pode diminuir o calibre das veias e artérias do corpo. E, desta forma, a pressão arterial vai se elevar porque o coração terá que bombear o sangue com mais força para que ele passe por aquela região mais estreita.

Também é importante reduzir ao máximo o consumo de sal de cozinha. Esta substância tem em sua constituição o sódio. Níveis elevados dele no organismo fazem com que exista uma retenção de água bastante grande, maior do que o normal, pelo corpo. Esta água irá causar, de forma direta, uma elevação na pressão arterial desta pessoa que ingeriu muito sal.

Outros dois fatores importantes para a prevenção da hipertensão é o controle do peso e o ato de fumar.

Tratamento
A principal maneira de tratar a pressão alta é por meio de medicamentos. Mas, nos casos mais leves, a simples prática de exercícios diários ou a redução nos níveis de sal na comida já podem trazer benefícios, mantendo os níveis de pressão sangüínea. Há vários tipos de remédios utilizados para o controle da pressão arterial. Mas, o mais correto para cada caso só pode ser identificado por um médico. Não é porque um tipo de remédio resolveu o problema de uma determinada pessoa que ele irá servir para todas as outras. É muito importante que o médico conheça o seu problema em especial para que o tratamento possa ser mais eficaz. E vale reforçar: o hipertenso não deve, jamais, interromper por conta própria o tratamento prescrito pelo médico, mesmo quando estiver sentindo-se bem.

Por que existe a hipertensão?
A causa da hipertensão é desconhecida em 90% dos casos. O que se sabe é quais são os fatores, dentro do corpo, que podem promover a ocorrência da doença. O tipo de hipertensão mais comum, chamada pelos médicos de primária ou essencial, é aquela provocada pelo entupimento das artérias.

Em casos específicos, o aumento da pressão do sangue pode ocorrer por problemas hormonais ou então por um mau funcionamento do rim. Como estes casos são mais raros, e devem ser tratados com medicações específicas, eles recebem o nome de hipertensão secundária.

Não existe apenas um único fator que provoca o surgimento da hipertensão. Segundo Nogueira, a doença pode ser explicada pela junção de uma herança genética (história de casos na família, por exemplo) com hábitos de vida (consumo de sal, estresse, vida sedentária e álcool). “Existe um componenete genético que será expresso se o estilo de vida da pessoa propiciar que isto ocorra”, diz o médico da Sociedade Brasileira de Hipertensão.

Por exemplo, exemplifica Nogueira, dois gêmeos em que a mãe e o pai sejam hipertensos não necessariamente desenvolverão a doença ao longo do tempo, a não ser que o estilo de vida deles os levem a isto. Se um deles come muito sal e tem uma vida sedentária, além de um grande estresse profissional, ele poderá ter hipertensão. Mas, o irmão gêmeo dele, caso não coloque muito sal na comida e ainda faça exercícios regularmente muito provavelmente não deverá ficar doente.

Envelhecimento
A chance das pessoas terem a hipertensão arterial aumenta com o envelhecimento. Segundo Nogueira, acima dos 40 anos é que a hipertensão se torna mais freqüente. Pessoas que tenham diabetes ou que estejam acima do peso também tem uma maior probabilidade de ter pressão arterial alta. Por causa desta informação científica é que as pessoas que estejam com estas doenças ou que já passaram dos 40 anos devem ter um cuidado extra com a pressão.

A máquina cardíaca

Todo ser humano apresenta dois tipos de níveis de pressão em seu sangue. Ao bater, o coração se contrai e joga o sangue para as partes do corpo humano. Neste momento, se pode medir a chamada pressão “sistólica”, ou máxima. No relaxamento do músculo cardíaco, quando o sangue retorna das diversas partes do organismo para o coração, é que pode ser registrada a pressão mínima, ou “diastólica”. As duas medidas são aquelas obtidas quando se mede a pressão. Se o médico ou enfermeiro disser 150 por 95 (ou 15 por 9,5) significa que a máxima é de 150 e a mínima é de 95. Uma pressão com um pico muito alto seguida de uma queda brusca indica que o músculo cardíaco está realizando um grande esforço para fazer com que o sangue circule pelo corpo. Quanto maior o esforço, mais fácil será a ocorrência , por exemplo, de um derrame.

Mais Informações
SBH – Sociedade Brasileira de Hipertensão
Tel.: (0xx11) 3284-0215 www.sbh.org.br