|
COMUNIDADE EM FOCO
Médicos Sem Fronteiras

Michel Lotrowska |
Epidemias, catástrofes naturais, fome, conflitos e contextos de exclusão social. Os cenários que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) atua em todo o mundo são os mais diversificados possíveis.
A independência desta entidade, criada por um grupo de jovens médicos e jornalistas no final dos anos 60 na região da Nigéria, nasceu em um contexto de guerra. “O socorro às vítimas era difícil, dependia de um entendimento entre as partes em conflito, ou de consentimento de autoriedades locais”, conta Susana de Deus, chefe de missão da MSF no Brasil.
Hoje, as ações do MSF estão espalhadas pelo mundo. Suplantando interesses políticos, etnias, credos ou nacionalidade, os médicos sem fronteiras trabalham para levar a saúde aos mais necessitados.
Brasil
Em 1991, a organização teve o primeiro contato com o Brasil - em uma epidemia de cólera na Amazônia. Depois do problema ser controlado, os médicos sem fronteiras continuaram no país para desenvolver um trabalho de saúde preventiva nas tribos indígenas.
A segunda atuação no Brasil ocorreu dois anos depois. Por causa dos problemas de exclusão social divulgados pela imprensa internacional, a entidade resolveu visitar o Rio de Janeiro. “Além de enviarmos uma equipe, resolvemos também instalar uma sede da organização. Apesar de estarmos localizados no Rio, podemos atuar em outros locais do país”, diz Susana.
O enfoque dos Médicos Sem Fronteiras em território nacional não se limita apenas à área de saúde. Projetos de médio prazo para combater a desigualdade e a violência cotidiana também estão no campo de atuação. A organização humanitária, neste caso, auxilia as populações que já são atendidas pelos projetos de saúde a se organizarem melhor. Dentro deste modelo, também é uma das tarefas a criação de canais de comunicação entre as comunidades e as várias esferas de governo. No mundo todo são mais de dez mil profissionais atuando para a MSF.
Meio-Fio
Um dos projetos sociais que os Médicos Sem Fronteiras desenvolvem nas ruas do Rio é o Meio-Fio.
O objetivo deste programa é oferecer assistência médica, social e psicológica aos moradores de rua. Dentro desta comunidade, algumas pessoas são encaminhadas para a rede pública para que elas possam também ser atendidas pelo sistema de saúde bucal do município.
O Brasil está na rota de um dos programas internacionais da MSF. Um dos objetivos do projeto Acesso aos Medicamentos Essenciais é o de estimular a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos para doenças que não recebem a devida atenção da indústria farmacêutica: leishmaniose, malária, a doença do sono, tuberculose, a aids e a doença de Chagas.
A própria MSF, em 2001, assinou um convênio com o Ministério da Saúde para a aquisição de medicamentos do coquetel anti-Aids. “Apesar de ter uma grande quantidade de doenças tropicais, o Brasil detém tecnologia, centros de pesquisa e profissionais qualificados para integrar as ações da campanha. Além de ter um programa de AIDS modelo para outros países em desenvolvimento”, afirma Michel Lotrowska, representante da campanha no Brasil.
O MSF no Brasil
• Combate à epidemia de cólera na Amazônia e Rio de Janeiro
• Programa Local de Prevenção à Aids/DST, Rio de Janeiro
• Capacitação de Gestores Comu- nitários, Rio de Janeiro
• Dentemania, Rio de Janeiro
• Projetos de Saúde Preventiva com tribos da Amazônia
• Ajuda após enchentes no Vale do Jequitinhonha, MG, Barra Mansa, RJ e Resende, RJ
|