Revista Saúde Brasil 5

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Revista Saúde Brasil
Abr / Mai 2003
Ano 1 - Nr. 5

ESTRESSE

Um sinal que merece
mais atenção


Dra. Marilda Lipp

Veja algumas orientações que podem ajudar a identificar quando é hora de buscar ajuda médica.

Quem já não ficou ansioso ao ponto de se estressar? Quase todas as  pessoas já enfrentaram ou vão  enfrentar a experiência de ter, pelo menos, uma vez na vida, uma crise de estresse.

Mas é importante sabermos que a palavra ‘estresse' não é apenas sinônimo de crise, de cansaço. O estresse ‘saudável' dá ânimo a uma pessoa para enfrentar desafios, cumprir compromissos, arriscar para poder vencer obstáculos. Assim como a ansiedade – que funciona como uma mola propulsora, muitas vezes, necessária para implementação de mudanças na vida.

O estresse ‘ruim', porém, ao contrário do que alguns ainda imaginam, merece uma atenção redobrada, pois pode ser o fator desencadeante de doenças e distúrbios sérios que podem prejudicar, e muito, a nossa saúde.

É importante, aliás, que se diga que o estresse, detectado e tratado de maneira adequada, pode ser combatido e controlado, possibilitando que a pessoa volte a seu estado normal.

Alerta

O estresse da primeira fase é o Alerta, considerado bom, e acontece quando a adrenalina está correndo com intensidade no sangue. É o período em que a pessoa costuma ter mais disposição, vigor e energia. Nesta situação, ela pode até passar noites sem dormir, sem se preocupar com a alimentação e, ainda assim, cumprir uma tarefa.

Por exemplo: uma funcionária recebe uma ordem para fazer um projeto em um tempo reduzido. Entra na primeira fase do estresse e consegue terminar o que foi solicitado, com sucesso.

Resistência

A segunda fase é o estresse da Resistência. A pessoa já está  no Alerta há algum tempo. Está começando a sentir-se cansada fisicamente, acordando sem ânimo, tem falhas de memória – pode esquecer onde deixou a chave do carro ou da casa; esquece de dar um telefonema importante; fica mais desorganizada.

Para ela não passar para a terceira fase, ela precisa: parar para almoçar, estabelecer um horário de trabalho, ter momentos para relaxar. Mas, vamos supor que, no mesmo período, é surpreendida com o término de um namoro ou sofre um seqüestro relâmpago ou é assaltada. Ela, certamente, não vai conseguir criar mecanismos de defesa e aí vai chegar a ‘quase exaustão'.

A Quase Exaustão

Nesta fase podem começar as doenças: problemas  na  pele  de  todo  tipo,  acne,  herpes,  gripe,  queda  de cabelo,  gastrite,  depressão, uma ansiedade sem controle que começa a atrapalhar a vida profissional e pessoal. Aqui, será necessário recorrer à equipe médica. Além de investigar a doença física, pode começar a fazer terapia. O ideal é que o médico e o psicólogo atuem em conjunto. Mas, se a pessoa não aderir às recomendações médicas pode entrar numa evolução da terceira fase, denominada de Exaustão

Exaustão 

A pessoa poderá ter sérios problemas psicológicos e vir a sofrer infarto, derrame cerebral, depressão etc. Ela poderá ficar incapacitada para trabalhar ou estudar. Não há como sair desta fase sem ajuda médica.

Ouvir o o corpo

A dra. Marilda dá uma dica muito importante: “É  necessário  ouvir  as  reclamações  do  corpo,  do  organismo  para  que não seja desencadeada uma doença que pode ser evitada, se diagnosticada e tratada em tempo”.  A  psicóloga diz que é possível prevenir o estresse seguindo algumas regras e sem precisar gastar dinheiro.

RECEITA

O estresse pode levar uma pessoa a um grande sofrimento e provocar prejuízos enormes ao organismo, traduzido por doenças. Cada um a sua maneira também procura encontrar uma receita para combater o estresse.

A empresária Gisele Crivelli, 33 anos, trabalha de dez a doze horas por dia em um escritório dentro da própria casa. Confessa que, na maioria das vezes, não encontra nem tempo para almoçar com os filhos, o que para ela é muito estressante. “Eu aproveito o final de semana para compensar.” E também para cozinhar, que é uma terapia para ela.

Ângela Pinheiro, 37 anos, também vive situações de estresse no trabalho e em casa. “ Trabalho com marketing e ao planejar um evento, se algo dá errado é um grande estresse”, conta.

Sua receita: para controlar o estresse, Ângela procura fazer também no fim de semana o que lhe dá prazer: curtir o marido e o filho, sem estar preocupada com trabalho ou com a casa. Ela gosta de ler e ouvir música para relaxar. São medidas que lhe ajudam a driblar os malefícios do estresse.

O QUE É ESTRESSE?

Quando uma pessoa sente uma  pressão interior muito grande ou  mesmo uma resistência, ela pode dizer que está estressada. Segundo Dra. Marilda Lipp, psicóloga, especializada em estresse e professora da PUC de Campinas de pós-graduação  em Estresse e Doenças Psicossomáticas, o estresse pode ser dividido, basicamente, em três fases: alerta, resistência e exaustão. 

ESCALA 

Há uma classificação, por escala, de situações que mais causam estresse, ainda que cada um possa se ressentir mais intensamente num ou noutro caso e também ao enfrentar o trânsito, a violência, o dia-a-dia.

• morte de marido ou mulher 
• morte de filhos
• separação conjugal 
• mudança de emprego
• casamento recente

ANSIEDADE

Quando a ansiedade é muito rande é necessário estar alerta porque pode evoluir e virar uma oença. Um dos primeiros  sinais é  quando a  ansiedade incapacita a pessoa. O sintoma mais  comum no quadro de ansiedade patológica é a própria ansiedade. A pessoa se queixa de um mal estar, tem uma inquietação interna. Também há sintomas físicos como: insônia,  alterações de apetite, falta de ar, taquicardia (coração dispara), sudorese nas mãos, diarréias, dores pelo corpo. A pessoa identifica que não está no seu normal, mas não consegue se libertar do problema sem ajuda profissional.

Mais Informações
FMUSP - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas
Tel.: (0xx11) 3069 6277 www.hcnet.usp.br/ipq
Laboratório de Estudos Psicofisio-lógicos do Stress, no Instituto de Psicologia, da PUC -Campinas
Tel.: (0xx19) 3756 7283