Revista Saúde Brasil 5

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Revista Saúde Brasil
Abr / Mai 2003
Ano 1 - Nr. 5

DOENÇAS RESPIRÁTORIAS


Dr. Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho

Saúde requer cuidados extras com o frio

Várias doenças respiratórias aparecem mais quando o
termômetro baixa

O calor forte dos últimos meses já não existe mais. O vento está mais gelado e as noites mais frias pelo menos em parte do território brasileiro. Com esta diminuição da temperatura atmosférica, uma das partes do organismo humano vai ter que trabalhar sob condições bastante diferentes da ideal.

Como a melhor temperatura para que tudo funcione bem dentro do corpo humano é a de 37 graus Celsius, nos meses mais frios do ano, o ar que entra pelo nariz terá que ser aquecido pelas vias aéreas antes de chegar aos pulmões. É exatamente por causa desta sobrecarga que existe sobre as estruturas do aparelho respiratório que algumas doenças, como as gripes e resfriados ou até as rinites ou as crises de asma (veja em Conhecendo Mais), tendem a aparecer mais durante o inverno. “O ar frio, sozinho, já provoca uma irritação do nariz e da garganta”, explica Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho, pneumologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Como no inverno também chove menos, além do frio, o ar seco também colabora para que as doenças respiratórias apareçam mais”, diz Carvalho. O médico do Hospital das Clínicas (HC) também menciona um outro fator que complica muito a qualidade respiratória das pessoas que vivem principalmente nos grandes centros urbanos. “A poluição é um outro item que potencializa este quadro causado pelo frio e pelo ar seco.”

Microorganismos

Não é apenas a diferença de temperatura que colabora para que o nariz das pessoas fiquem escorrendo mais em dias frios. Como este ar resfriado é mais pesado que o ar quente, ele tende a ficar mais tempo presente no ambiente em que as pessoas vivem. Além disso, é neste ar mais frio que gostam de viver os microorganismos que podem causar um resfriado ou uma gripe, por exemplo. É por isso que nos dias em que as temperaturas estão mais baixas é que se deve evitar permanecer por muito tempo em locais fechados. Se existir, eventualmente, uma pessoa com o vírus da gripe naquele local, a chegada deste microorganismo até as demais pessoas terá uma probabilidade maior de ocorrer. “É muito comum, no inverno, as crianças, por exemplo, passarem o dia inteiro na escola e depois ficarem fechadas à noite, em casa”, diz Carvalho. Este é um quadro típico, segundo o médico e professor, que ajuda na contaminação das pessoas durante os meses de ar mais frio.

Prevenção

Em tom de brincadeira, o médico do HC recomenda que o ideal, durante os meses mais frios do ano, seria todos se deslocarem para um local mais quente, como é o nordeste brasileiro por exemplo. Como isto é, infelizmente, impossível, ele recomenda algumas ações que podem ajudar a diminuir as chances das pessoas ficarem com suas vias respiratórias doentes. “Se o problema for o ar seco demais por causa de uma baixa umidade relativa do ar, uma bacia de água no quarto pode ajudar”, diz Carvalho. No caso de baixas temperaturas, o uso de aquecedores também é uma forma de tornar o ar um pouco mais agradável de ser respirado. “O problema é que os aquecedores costumam retirar a umidade do ar. O ideal, então, é juntar o aquecimento do ambiente com a sua umidificação.” Além destas duas medidas, usar muitas vezes o bom senso também pode ser importante para a saúde das pessoas durante o inverno. Apesar do frio, deixar uma fresta da janela aberta para renovar o ar, também ajuda.