Revista Saúde Brasil 5

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Revista Saúde Brasil
Abr / Mai 2003
Ano 1 - Nr. 5

CONVIVENDO COM

Um aprendizado diário

A convivência com a asma requer, tanto da criança quanto do adulto, um conhecimento detalhado sobre a doença e, especialmente, sobre os fatores desencadeantes para manter a doença sob controle e recuperar a qualidade de vida

Esse é o desafio de quem desenvolve a asma e passa a ter crises. Principalmente no caso da criança, a observação por parte dos pais e também do professor, na escola, é de fundamental importância para a identificação dos chamados ‘gatilhos', ou seja, o que leva àquela criança a desencadear uma crise (com todo o mal estar e sintomas que podem decorrer dela). Porém, vencida a batalha – e as armas de combate se aprende no dia-a-dia -, somada a uma aderência total ao tratamento prescrito e acompanhado pelo médico, o portador de asma pode conviver bem com a doença – que dura a vida inteira. Ela pode levar uma vida normal.

Vale vermos algumas experiências, a começar pela de Carolina Nascimento Santiago, de 11 anos, que enfrenta o fato de ter asma com naturalidade porque aprendeu a seguir à risca as recomendações e orientações médicas e, assim, leva uma vida feliz.

Ela, hoje, participa das aulas de Educação Física do colégio onde estuda. Não faz nenhuma dieta alimentar. Mas evita tomar sorvete no inverno. Para sucos e refrigerantes ela tem um truque. “Eu tomo sempre metade gelado metade quente”, conta Carolina.

Ela já aprendeu a cuidar de alguns detalhes importantes para evitar uma crise asmática: não usa roupas de lã, prefere moletons e dorme com edredom. Na casa dela não tem carpete. A adesão é total ao tratamento: toma remédio todo dia e os pais a levam, uma vez por ano, para tomar vacina contra gripe.

Vera Lúcia, mãe de Carolina, conta que sempre está atenta ao comportamento da filha. “Se os olhos dela começam a ficar vermelhos e ela coça muitas vezes o nariz eu já sei que vai ter uma crise”. Vera Lúcia, então, se prepara para acudir a filha o mais rápido possível.


A Vitória

Maíra Chalfun, tem 10 anos de idade, e considera que controlar a asma é uma vitória. Maíra fez vários tratamentos até encontrar o mais apropriado para o caso dela. Ela conta que participa de todas as atividades do colégio onde estuda. E, normalmente, nem lembra que tem asma. Ao contrário, adora brincar e correr. O seu projeto agora é fazer aulas de jazz. Maíra dá um recado para todos que têm asma. “Não desistam, pois há um tratamento adequado para cada caso.”



Um golpe contra ácaro


Felipe Torres Baracuhy de Freitas

Felipe Torres Baracuhy de Freitas, de 24 anos, bancário, enfrenta o fato de ter asma fazendo natação três vezes por semana e, ainda, luta jiu-jitso. Os “inimigos” do Felipe são os ácaros, que facilitam uma nova crise de asma. Por isso, ele procura dar um golpe certeiro: não tem carpete no quarto, e toda a roupa de cama é esterilizada em um aparelho. “Assim, eu garanto uma boa noite de sono e posso fazer todas as minhas atividades durante o dia sem nenhum problema”. Ele toma remédio, todo dia, e sempre que necessário faz uma consulta médica. Ele não descuida, porque sabe que é melhor prevenir e evitar uma nova crise de asma.