Revista Saúde Brasil 4

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Revista Saúde Brasil
Fev / Mar 2003
Ano 1 - Nr. 4

INFERTILIDADE

A Reprodução Humana

Uma especialidade médica
que, para muitos, ainda é um mistério

O desejo de ter um filho está presente na vida da maioria dos casais. Quando ele não pode ser realizado surge uma grande frustração e ansiedade. Histórias sobre este tema são contadas desde a bíblia até os dias de hoje e muitos homens e mulheres que não podem ter filhos da maneira natural procuram a ajuda médica para conceber uma criança.

O que impede estas pessoas de terem filhos é a infertilidade, palavra que muitos ainda não têm certeza do seu significado, nem o que ela representa. Para compreendermos este assunto tão delicado é preciso conhecer como ocorre a fertilização, o que pode causar a infertilidade e saber que existem tratamentos eficazes.

A fertilização

Durante a relação sexual, os espermatozóides passam pela vagina e chegam até as trompas. No período fértil, a mulher libera um óvulo que será fertilizado pelo espermatozóide. É o início do processo de gravidez.


Infertilidade

Ela é causada por vários fatores. Em metade dos casos, tanto o homem quanto a mulher apresentam distúrbios que levam à infertilidade. No quadro abaixo apresentamos as causas mais comuns.

Causas no homem

Causas na mulher

A caxumba ou as Doenças Sexualmente Transmissíveis podem diminuir ou interromper a produção dos espermatozóides. A forma de identificar estes problemas é o espermograma, exame que serve para analisar o esperma. Problemas genéticos são um outro fator que pode diminuir a quantidade de espermas nos homens.

O organismo também pode produzir anticorpos, células que têm a função de nos defender de vírus e bactérias. Erroneamente, elas podem agir contra o espermatozóide e retirar o seu potencial de fertilização. É a chamada infertilidade provocada pela causa imunológica.

Estes antiespermatozóides são comuns nos homens que fizeram vasectomia e também podem estar presentes no organismo das mulheres.

Obstrução nas trompas –conseqüência de um processo infeccioso, normalmente transmitido pelo contato sexual, muitas vezes, assintomático. Se não for tratado a tempo, pode comprometer o útero, obstruir e lesar as trompas.

Problemas nos ovários – ovários policísticos não produzem hormônios femininos e a ovulação pode ser afetada. Problemas em outras glândulas, como hipertiroidismo ou hipotiroidismo, também podem causar dificuldades no funcionamento dos ovários.

Problemas no útero – tumores benignos ou malformações uterinas podem prejudicar a gravidez.

Endometriose – quando o endométrio, que se localiza normalmente na parte interna do útero, fica fora deste órgão. Pode afetar a ovulação.

Hostilidade do muco cervical – o muco é que permite a entrada dos espermatozóides no útero. Às vezes, ele pode ser mais espesso e impedir a penetração dos espermatozóides.

Infertilidade e a vida moderna


Dra. Silvana

Nos dias de hoje é comum a mulher priorizar a carreira e a vida profissional. O casamento fica em segundo plano e consequentemente a gravidez é prorrogada, por isso, é cada vez maior o número de mulheres que engravidam depois dos 30 anos.

“A questão da idade na mulher é clara. Ela deixa a maternidade para uma idade mais avançada e isso contribui com as dificuldades na hora de engravidar”, afirma Dra. Silvana Chedid, médica e diretora do Centro de Endoscopia Pélvica e Reprodução Humana do Hospital da Beneficiência Portuguesa (CEPERH).

É muito importante o casal se preocupar em ter filhos só quando realmente quiser e não pela cobrança da sociedade ou da família, o que muitas vezes acontece. O estado psicológico de um casal que não consegue ter filhos é muito afetado, principalmente pela ansiedade. “Noventa e nove por cento da abordagem do casal infértil é feita com tratamento de apoio psicológico, 1% do trabalho médico é a parte técnica. Em geral, os casos que têm resultados positivos são dos casais que estão mais tranqüilos e equilibrados do ponto de vista emocional”, afirma Dra. Silvana, que também faz parte da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).


Dr. Nilson Roberto de Melo

Há também fatores ambientais que podem influenciar a infertilidade como estresse, cigarro, poluição, consumo de álcool, ansiedade e a menstruação por um longo período. Para um casal estar seguro que realmente é infértil são necessários vários exames que devem ser realizados tanto no homem quanto na mulher. “A infertilidade é o drama de muitos casais, mas só pode ser diagnosticada depois de dezoito meses de tentativas. O importante é o casal se manter tranqüilo e aceitar com naturalidade”, afirma Dr. Nilson Roberto de Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

Mais Informações
Febrasgo – Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia www.febrasgo.org.br

Dúvidas freqüentes sobre a reprodução humana

Não é verdade que:
• Todos os tratamentos para engravidar sempre resultam em gêmeos ou trigêmeos.
• Pode-se escolher o sexo da criança.
• Um período de abstinência sexual aumenta as chances de engravidar.
• O uso prolongado da pílula ou do DIU causa infertilidade.

É verdade que:
• A incidência de crianças com malformações é igual em crianças nascidas de concepção natural ou por técnicas de fertilização.
• Homens que já fizeram vasectomia podem tentar fazer uma cirurgia de reversão.
• As mulheres que fizeram ligadura das trompas ou laqueadura também podem tentar reverter esta cirurgia.
• Homens e mulheres que já tiveram filhos e que têm uma saúde perfeita também podem ter problemas de infertilidade.
• Álcool, drogas e alguns medicamentos interferem na fertilidade.