Revista Saúde Brasil 4

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Revista Saúde Brasil
Fev / Mar 2003
Ano 1 - Nr. 4

CONVIVENDO COM

Vencendo o preconceito

Durante anos, homens agüentaram sintomas que atrapalhavam sua vida, tiveram medo e vergonha de procurar um médico. Depois de consultar um especialista, obter informações e esclarecer as dúvidas, conseguiram ter de volta sua saúde e levar uma vida normal

Com o avançar da idade, a saúde se torna mais delicada. Este é o principal fator, como vimos, que leva os homens com mais de 50 anos a apresentarem um crescimento na próstata – glândula do aparelho genital – denominada de HPB – Hiperplasia Prostática Benigna. Esta doença traz uma série de sintomas que dificultam o cotidiano e comprometem a qualidade de vida.

Ao contário de muitos homens que ainda deixam de procurar um urologista por vergonha ou medo dos exames, há outros que são um grande exemplo positivo veja a experiência de alguns deles que enfrentaram a HPB, fizeram os exames e o tratamento em busca de uma vida normal.

Prevenção

O agropecuarista Luiz Vicente Lunardi, 70 anos, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, passou dez anos fazendo o controle do crescimento da próstata, buscando controlar a HPB.

Lunardi tratou a doença. Primeiro, por meio de remédios para aliviar os sintomas como micção interrompida, vontade constante de urinar e desconforto urinário, que atrapalhavam o seu dia-a-dia.

“Devido à minha profissão, sempre faço viagens longas e estes sintomas me incomodavam muito, eram uma preocupação a mais na minha vida. Tinha medo de chegar a uma cidade do interior de Goiás sem recursos e precisar de um hospital, sem falar no transtorno de parar várias vezes na estrada para urinar”, afirma Luiz.

Com o grande aumento da próstata e a acentuação dos sintomas, que afetam significativamente a qualidade de vida, a solução encontrada foi o tratamento cirúrgico, que resolveu totalmente seus problemas urinários.

“A cirurgia foi um sucesso, a Medicina evoluiu muito e o mais importante é que devolveu a normalidade à minha vida. Espero que hoje os homens com mais de 40 anos estejam mais conscientes e façam sem nenhum problema um acompanhamento médico”, conclui Lunardi.

A falta de informação

Depois de uma retenção urinária que causou duas infecções no canal da urina, Hélio César Rosas, 63 anos, presidente da ONG de defesa de combustíveis renovados e de direitos humanos para pessoas honestas, passou a fazer exames urinários sempre que sentia algum sintoma, pensando que poderia contrair outra infecção. Quando procurou um urologista descobriu que estes desconfortos ocorriam por causa do crescimento benigno da próstata. Sem medo, partiu para o tratamento cirúrgico que fez sua vida voltar ao normal.

O desconforto e a falta de tranqüilidade que esta doença traz, dificulta o cotidiano e gera várias dúvidas. Muitos homens ainda acham que a HPB está relacionada ao câncer de próstata e isto não é verdade: a HPB e o câncer de próstata são doenças diferentes. A falta de informação que também afeta o estado psicológico foi um dos motivos que contribuiu para piorar ainda mais o estado de saúde de Rosas.

“Antes da cirurgia, fazia exame urinário a cada vinte dias, tinha um gasto muito grande, estava sempre preocupado e isso afetou o meu estado emocional. Os homens devem sempre fazer o acompanhamento para facilitar o tratamento. Hoje, converso com os meus amigos sobre a próstata. Sempre aconselho a procurarem um médico. A saúde deve estar em primeiro lugar”, complementa Rosas.

O médico cirurgião Francisco Pinheiro da Rocha, de Brasília, que se submeteu ao tratamento cirúrgico duas vezes, nunca teve preconceito . “Por ser médico e entender melhor do assunto, não tive nenhum problema em fazer o tratamento, mas ainda há muitos homens que têm vergonha, principalmente de fazer o exame de toque retal, que é fundamental para o diagnóstico da doença”, afirma Dr. Francisco.

Há oito anos, o cirurgião levantava várias vezes à noite para urinar. Sempre que tomava um líquido, a vontade de urinar era quase imediata. Quando os sintomas se agravaram, ele fez uma cirurgia que retirou uma parte da próstata. O alívio foi imediato.

Após seis anos da primeira cirurgia, alguns sintomas voltaram, como a micção freqüente e o jato urinário fraco. Então retornou ao urologista e, sem dúvida, realizou outro tratamento cirúrgico que trouxe sua vida ao normal.

“Depois da cirurgia, o jato urinário voltou a funcionar como antes e a melhora foi maravilhosa”, conclui o médico. Um consenso entre médicos e pacientes: o acompanhamento do crescimento da próstata é a principal medida para facilitar o tratamento e a manutenção de uma boa qualidade de vida.