Revista Saúde Brasil 2

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Revista Saúde Brasil
Out / Nov 2002
Ano 1 - Nr. 2

CONVIVENDO COM
Viver com a Osteoporose


Força e fragilidade. Dois elementos constantes no dia-a-dia de quem, depois de aprender tantas coisas na vida, enfrenta mais um aprendizado, conviver com a Osteoporose.

A vida pode ser frágil para todos, e para quem tem Osteoporose, essa fragilidade está localizada nos ossos. Mas, resumindo a experiência de vida de três entrevistados, observamos um ponto em comum: a força de vencer os desafios usando toda a rica bagagem de conhecimentos acumulados em mais de 50 anos.

“Eu sempre digo que a idade não se conta com os anos vividos, mas o sentido que se dá a esses anos. Penso isso para tudo na vida, inclusive para enfrentar uma situação nova que foi a Osteoporose”, reflete a sra. Reine Magda de Moraes. Com seus 86 anos de idade, que ela tem orgulho de declarar, a sra. Reine conta que descobriu a doença há sete anos, quando foi tratar de uma luxação, ocasionada por uma queda.

No hospital pediram a densitometria óssea e constataram que tinha Osteoporose e, desde então, adotou as recomendações médicas como novos hábitos em sua vida. “Tomo meu remédio diariamente, cuido da alimentação que é fundamental, tomo bastante leite, iogurte e passei a comer banana, e me proponho a andar devagar”. A ex-professora conta que, segundo recomendação médica, no futuro terá que adotar uma “simpática bengala” e acha que será interessante e até charmoso. “Sei que posso ter qualidade de vida. Com todos os meus cuidados consegui estabilizar a doença. Continuo fazendo hidroginástica, leciono religião e leio bastante. Ter atividades é bom. Quem pára, enferruja”, encerra.

Igualmente cercada de atividades a ge-rente administrativa Antonia Rodrigues, de 57 anos, relata que o maior receio com a doença é ter algum tipo de fratutra. “Até hoje graças a Deus eu nunca caí. Mas, a minha maior preocupação é que isso ocorra e eu venha a quebrar o braço, a perna ou algo mais. Tomo bastante cuidado desde que foi diagnosticada a fase inicial da Osteoporose, durante os exames de rotina no ginecologista, há três anos”. Tanto em casa como no trabalho, Antonia explica ainda que a cautela no andar, cuidados com os tapetes e eliminar eventuais zonas de risco já viraram uma rotina, assim como não levantar objetos pesados, cuidar ao subir em escadas: “são pequenas atitudes, mas podem evitar grandes riscos. Fora isso, levo uma vida normal”.

A gerente relata ainda que, como atua na área de saúde, já tinha conhecimento sobre a doença e, mesmo assim, saber que estava acontecendo com ela causou um grande impacto. “No começo não posso negar que fiquei chateada e com medo. Puxa, estava acontecendo comigo. Vou ter de conviver com ela a vida inteira! Mas, esses receios foram uma fase curta. Hoje encaro perfeitamente bem, e sei que posso conviver com a Osteoporose e manter minha qualidade de vida”, destaca Antonia.

Ao contrário dos casos anteriores, o Sr. Francisco Penha Marques, de 62 anos, associava apenas a Osteoporose como uma doença feminina. “Não sabia que era possível homem ter Osteoporose. A médica me explicou que homem também podia ter. Foi estranho. Recordo que durante o curso que a médica me indicou para saber o que era e como conviver com a doença, num grupo de 10 pessoas eu era o único homem”, recorda.

O sr. Francisco conta que descobriu a doença por causa de fortes dores nas costas. Como estava tratando outra doença relatou ao médico o problema. “Ele pediu uma radiografia e encontraram três fraturas na coluna. Em outro exame foi apresentado que as fraturas foram decorrentes da Osteoporose. Agora com os medicamentos e o tratamento, graças a Deus não sinto mais aquelas dores”.

Sr. Francisco relata que se arrepende dos maus hábitos de saúde que teve ao longo de sua vida. “Fumei desde os meus oito anos de idade e só fui parar por volta dos 50 por causa de problemas de saúde. Hoje não fumo mais. Não tenho medo, mas tomo todos os cuidados”, completa. Entre os cuidados, além dos medicamentos, o paciente destaca a atenção com a alimentação. “Aprendi muito sobre a doença, sei que o leite é muito importante para ajudar no tratamento e que a prevenção começa desde cedo. Esse conhecimento eu passo para minha família, principalmente minhas netas”, encerra o sr. Francisco.