Revista Saúde Brasil 2

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Revista Saúde Brasil
Out / Nov 2002
Ano 1 - Nr. 2

CÂNCER
Vale a pena prevenir

Quanto antes diagnosticado, maior a chance de tratamento e cura.

O câncer figura como a segunda causa de morte por doença no Brasil. “É realmente um problema emergente embora esteja na lista de doenças crônicas degenerativas. Estão previstos para este ano, 337 mil novos casos de câncer, dos quais 222 mil mortes”, informa a dra. Lair Barbosa de Castro Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

O grande índice de mortes se deve a fatores como a demora dos pacientes em buscar ajuda e a dificuldade, não raras vezes, encontrada pelo médico no atendimento primário em fazer o diagnóstico do câncer.

São necessários programas eficazes de prevenção do câncer, diagnóstico precoce e tratamento rápido e especializado.

Para reforçar atividades educativas na luta contra o câncer, o Inca – Instituto Nacional do Câncer, órgão normatizador do Ministério da Saúde para as ações de controle do câncer, instituiu a data 27 de novembro como o Dia Nacional de Combate ao Câncer.

Muitos tipos de câncer (veja alguns nesta matéria) podem ser evitados pela conscientização dos fatores de risco ou detectados logo no início pela realização de exames preventivos e consulta regular ao médico.

O que é o câncer?
São mais de 100 tipos de doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do nosso corpo.

As causas do câncer são variadas. Elas podem ser internas (como a pré-disposição genética) ou externas ao organismo, ou seja, aquelas sobre as quais nós podemos agir. Elas estão associadas a mais de 80 % dos cânceres.

Fatores de risco externos:
• Sedentarismo
• Obesidade
• Hábitos alimentares
• Alcoolismo
• Hábitos sexuais
• Exposição excessiva ao sol
• Tabagismo

Vale lembrar que o envelhecimento da população também tem relação com a maior ocorrência de alguns tipos de câncer, como por exemplo, o de próstata.

 


O cigarro é um dos piores inimigos da nossa saúde. Ele é responsável por 90% dos tumores de pulmão e 60% dos de esôfago, ainda que esteja correlacionado a vários outros tipos de câncer: boca, faringe, pâncreas, rins, bexiga e colo do útero.

Estômago
• também denominado câncer gástrico, pode se apresentar de formas diferentes
• é mais comum após os 50 anos de idade
• é o quarto câncer mais mortal
• dentre os fatores de risco, destacam-se: dieta inadequada, má conservação de alimentos, além de outros fatores patológicos, tabagismo e excesso de álcool
• não há sintomas específicos
• avanços diagnósticos têm possibilitado detecção mais precoce das lesões no estômago

Pele
• o câncer mais freqüente (25% de todos os tumores malignos)
• pode se apresentar de formas diferentes: o chamado ‘não-melanoma' é o mais prevalente e o menos agressivo
• detecção precoce tem grande chance de cura
• a exposição aos raios ultravioletas do sol é um dos principais fatores de risco
• é mais comum após os 40 anos de idade
Alerta: Evite tomar sol das 10h às 16h. E mesmo nos demais períodos, use sempre proteção como chapéu, óculos escuros e filtros solares.

Próstata
• é mais comum após os 50 anos de idade
• principais sintomas quando a doença avança: levantar várias vezes à noite para urinar, dificuldades no ato de urinar e dor à micção
• antecedente familiar é importante fator de risco
• tem crescimento lento e a evolução da doença pode matar
Alerta: Deixe o preconceito de lado. O diagnóstico precoce aumenta a chance de cura e a única maneira é fazer os exames: toque retal (que não dói e é feito pelo médico em consultório) e PSA (um exame de sangue que avalia os níveis do Antígeno Prostático Específico). Eles devem ser feitos anualmente de 50 a 70 anos (e a partir dos 40 para quem tem histórico familiar da doença).

Leucemias
• há vários tipos de leucemias que interferem na chamada fábrica do sangue
• podem ser agudas ou crônicas ou de acordo com as células que atingem, podem ser linfóides ou mielóides A LMC – Leucemia Mielóide Crônica – corresponde a cerca de 15% das leucemias
• ocorre entre 45 e 55 anos de idade
• um fator genético, o cromossomo Philadelphia, identificado, é um avanço na investigação diagnóstica e na avaliação de tratamento
• sintomas quando a doença avança: cansaço, perda de peso, aumento do baço, sangramentos e anemia
• diagnóstico feito por exame de sangue (hemograma) e mielograma

Câncer Infantil
• pelo menos 70% das crianças acometidas podem ser curadas, se o diagnóstico for precoce e o tratamento adequado
• manifesta-se de várias formas e é preciso atenção redobrada por parte dos pais para os sintomas. Dentre as doenças mais comuns:
• leucemias: criança fica suscetível à infecção, palidez, sangramento e dor óssea
• retinoblastoma: embranquecimento da pupila quando exposta à luz, fotofobia ou extrabismo (principalmente em crianças até os 3 anos)
• tumor de sistema nervoso central: dor de cabeça, vômitos, alterações motoras, cognitivas e paralisia de nervos

Colo-retal
• terceira causa de morte por câncer
• é mais comum após os 50 anos de idade, em homens e mulheres
• dieta rica em gordura, obesidade, sedentarismo e excesso de álcool, além de algumas doenças associadas, são fatores de risco
• alguns sintomas: diarréia ou prisão de ventre, gases, emagrecimento, perda de sangue pelas fezes
Alerta: O câncer que atinge o cólon (intestino grosso) e o reto quando detectado precocemente tem grande chance de cura. Dois exames devem ser feitos: toque retal e exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Metástases
• são disseminações das células tumorais para além do órgão inicial atingido, podendo acometer outros tecidos e órgãos
• pode ocorrer em ossos, cérebro, pulmão, fígado etc.
• os cânceres que mais metastatizam para os ossos são o de mama, na mulher, e o de próstata, no homem
• os principais sintomas das metástases ósseas são dor, enfraquecimento dos ossos e fraturas
• quanto antes detectada e localizada a metástase, melhores as chances de evitar complicações, controlar a evolução e promover a qualidade de vida para o paciente

Colo do Útero
• terceiro câncer mais comum na mulher
• a mortalidade é alta
• atividade sexual antes dos 18 anos, pluralidade de parceiros sexuais, tabagismo e falta de higiene são fatores de risco
• o vírus do papiloma humano (HPV) está presente em 99% dos casos
• sintomas só quando avançado: sangramento e dor na relação sexual
Alerta: Exame preventivo para a detecção precoce permite reduzir em 70% a mortalidade por câncer do colo do útero na população de risco. Conhecido como exame de Papanicolau, que é realizado por profissional de saúde em qualquer local do país, é recomendável, anualmente, a toda mulher que têm ou já teve atividade sexual, especialmente entre 25 e 59 anos de idade.

Mama
• o câncer que mais mata a mulher
• histórico familiar é fator de risco, bem como menopausa tardia (após os 50 anos)
• é mais comum após os 35 anos de idade
• detecção precoce tem grande chance de cura
• o sintoma que só ocorre quando já localmente detectável ao exame físico é o aparecimento de nódulo ou caroço no seio, com ou sem irritação e dor no local

Alerta: Diagnóstico precoce através de exame clínico (feito pelo médico) e mamografia (exame radiológico) que pode ser acompanhado de ultra-som, a cada dois anos para mulheres entre 35 e 39 anos e, anualmente, entre 40 e 49, podendo a partir dos 50 se manter anual ou até semestral. Vale lembrar que cerca de 80% dos cânceres de mama são descobertos pela própria mulher ao fazer, todo mês, o auto-exame, uma semana depois da menstruação e após a menopausa, eleger um mesmo dia todo mês.

O que procurar: deformação ou alteração no formato das mamas, feridas ao redor do mamilo, caroços na mama ou axila e secreção nos mamilos.

Avanços no combate ao câncer

A suspeita de um câncer pode surgir diante de sintomas dos mais variados, daí a dificuldade, muitas vezes, de se fazer o diagnóstico que, em geral, é feito pelo médico através do histórico do paciente, dos sinais e sintomas, exame físico e alguns exames complementares.

Quanto antes diagnosticado o câncer e adotado o tratamento adequado, com total adesão do paciente, melhores as chances de cura e/ou controle da doença.

E, ao contrário do que ainda muitos imaginam, câncer não é sinônimo de morte. É preciso que consigamos enfrentar a doença, com menos receio e mais determinação. O tratamento tem uma abordagem multidisciplinar e os avanços da Ciência tem sido fabulosos.

“Eles visam não apenas a sobrevida do paciente mas também a garantia de uma qualidade de vida, através de novas técnicas, terapias e procedimentos no combate à doença. Entre esses avanços estão as terapias antiangiogênicas, as vacinas anticâncer e os anticorpos monoclonais”, destaca a dra. Lair Barbosa de Castro Ribeiro. Ela diz que esses foram alguns dos assuntos e novidades tratadas no 3o Congresso Internacional de Cancerologia, ocorrido em agosto, organizado pela Sociedade Brasileira de Cancerologia e pela Universidade Estadual Paulista.

Mais informações:

SBC - Sociedade Brasileira de Cancerologia www.sbcancer.org.br

INCA - Instituto Nacional do Câncer
www.inca.gov.br

Disque Saúde: 0800-611997