Revista do Bebê 2

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Revista Saúde do Bebê
Set 2003
Ano 1 - Nr. 2


Dr. Fábio Ancona Lopez, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

ALIMENTAÇÃO - Obesidade
Comer bem também se aprende

Vão longe os tempos em que dobrinhas eram sinal de saúde. Hoje o excesso de gordura é
motivo de preocupação. É que a obesidade predispõe a uma série de doenças, como o diabetes do tipo 2, a pressão alta e os distúrbios cardiovasculares. Confira as orientações do Dr. Fábio Ancona Lopez,
presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Desde que nasça no prazo normal, um recém-nascido costuma pesar cerca de três quilos. Nos primeiros meses de vida, até o bebê mais guloso que mame no peito dificilmente terá gordurinhas em excesso. Isso vale até para aqueles que a mãe deixa sugar até ficarem tão satisfeitos que abandonam a mama espontaneamente. Nem eles correm o risco de ficar superalimentados.

Já no caso de mamadeira, a história é um pouco diferente. É que muitas mães, com a melhor das intenções, adicionam amido de milho, aveia ou farinha ao leite na esperança de os filhos ficarem bem alimentados.
A prática espaça as mamadas, mas não é sinal de que a criança esteja bem nutrida. Ao contrário. O que ocorre é que o organismo dos bebês pequenos não está preparado para receber estas substâncias antes de quatro meses. Por isso, sua digestão fica lenta e seu aparelho digestivo sobrecarregado. O resultado é que mamam menos...

Comida na dose e hora certas
A prevenção da obesidade infantil começa na hora do desmame. Explica-se: é que este é o período fundamental para estabelecer bons hábitos alimentares. E o bebê precisa aprender a comer direitinho, pois até os dois primeiros anos de vida são freqüentes as anemias pela falta de ferro, por exemplo.

Nesta fase, é importante estabelecer horários. O melhor é que a criança coma sentada à mesa, junto com a família. E não se deve estimular a troca de refeições. Se ela não aceitar a papa salgada, por exemplo, nada de dar a mamadeira ou correr preparar a refeição favorita.

A criança precisa de tempo para se acostumar aos novos alimentos. Que podem, sim, ser apresentados de forma diferente. Como o adulto, a criança já manifesta preferências e pode não gostar de batata cozida, porém apreciar um gostoso purê. Outra regra básica é que a criança jamais deve se alimentar assistindo à televisão.

Educação alimentar
Uma vez que a criança aprenda a comer direitinho, os pais devem ficar atentos à evolução de peso. Crianças com 10 a 20% a mais do que é considerado normal para sua idade estão com sobrepeso. Nesta faixa, já é bom conversar com o pediatra para tomar medidas para regularizar a situação. Acima de 20%, a criança é considerada obesa.

Há uma conta simples, que pode ser feita para dar uma idéia do peso médio esperado. Pegue a idade da criança e multiplique por dois. Aí some oito. Acompanhe o cálculo para uma criança de três anos: três vezes dois é igual a seis. Seis mais oito resultam em 14. Se o baixinho estiver com 17 quilos, por exemplo, precisa de acompanhamento para voltar ao peso certo.
Em tempo: criança não toma remédio para emagrecer, nem faz regime, isto é, não deve jamais ser privada de alimentos saudáveis. Na verdade, deve fazer reeducação alimentar, isto é, aprender a trocar alimentos exageradamente calóricos por outros, mais nutritivos.

Uma boa pedida é anotar o que a criança ingere no período de 24 a 48 horas. Com a lista em mãos, os pais podem avaliar se o pequeno está tendo acesso exagerado a biscoitos recheados, salgadinhos, doces, refrigerantes e outros itens que estão desequilibrando sua balança alimentar. O que costuma acontecer sobretudo fora dos horários regulares de alimentação.

Os pais precisam também aprender que doce não é sinônimo de agrado, nem carinho. E é uma boa hora para avaliar os hábitos alimentares da família. Será que toda a turma não está comendo um arroz feito com meio copo de óleo, daqueles que ficam brilhantes de tanta gordura?

O fato é que todos ganham ao adotar cardápios ricos e variados em cereais e grãos, legumes, frutas e verduras, carnes magras e peixes, além do brasileiríssimo arroz com feijão e volta e meia o gostoso macarrão.

Isso porque as complicações da obesidade para a saúde são enormes. Felizmente, em fase de crescimento, a criança que tem a alimentação corrigida logo entra nos eixos no quesito peso. Ou seja: é o legítimo caso em que a união da família com o pediatra produz um final feliz para o presente e o futuro infantil.

Bons hábitos se formam de berço

A introdução de alimentos é a hora certa de começar a ensinar o seu filho sobre as regras da boa alimentação. Veja o que fazer:

1. Adote horários: as refeições devem ser servidas à mesma hora, para a criança desenvolver o costume de se alimentar em períodos regulares.

2. Distribua as refeições: a alimentação dos pequenos deve ser fracionada em café da manhã, lanche matinal , almoço, lanche da tarde e jantar. Isso garante que a criança coma na medida certa, sem exagerar nem ficar longo tempo sem os nutrientes necessários para seu correto desenvolvimento.

3. Varie o cardápio: não é preciso fazer caras e boquinhas nas receitas. O importante é diversificar os pratos para que a criança receba todas as vitaminas, minerais, proteínas e carboidratos que precisa para crescer forte e saudável.

4. Dê o exemplo: não há nada melhor que a criança se alimentar com a família à mesa, vendo os pais comerem de tudo um pouco. Se não for possível, não deixe que ela faça as refeições assistindo à televisão.

Superbebês são sinal de doença materna

Ao nascimento um bebê do sexo feminino apresenta por volta de 3,2 quilos e um do sexo masculino, 3,5 quilos. Mas você certamente já ouvir falar de bebês que nasceram com quatro ou cinco quilos, certo?

A causa mais freqüente é que a mãe tenha tido diabetes gestacional, que, sem controle, causa a elevação das taxas de açúcar no sangue. A doença faz com que a oferta deste nutriente seja muito grande para a criança, o que causa seu desenvolvimento anormal. Assim, ao chegar ao mundo, ela pode ter peso acima do esperado.

Lembre-se:

• Dê só o leite do peito ao bebê até os seis meses.
• Depois comece a dar alimentos variados, mas continue amamentando até os dois anos, se possível
• 1 a 7 de outubro - Semana Mundial da Amamentação