Revista do Bebê 2

Arquivo Revista Saúde Brasil

Revista Saúde do Bebê
Set 2003
Ano 1 - Nr. 2


Dra. Vera Ferrari do Rego Barros

BRINCAR
Brincadeira de criança
é coisa séria

Veja como aumentar a dose
de divertimento na vida da criança,
de acordo com especialistas.

Brincar é um direito infantil que não anda sendo muito respeitado. Os pais precisam trabalhar muito para equilibrar o orçamento familiar. A violência urbana não colabora. O resultado é bem conhecido e atinge todas as classes sociais.

O problema
Falta de tempo e dinheiro

• As crianças ficam em casa, coladas na TV, no videogame ou no computador

• Os pais compensam a ausência com brinquedos e bens materiais

• Alguns filhos são matriculados em tantos cursos, que não sobra tempo para brincar!

A solução
Criatividade e parcerias

• Aprenda a brincar e a envolver a crian- ça, com atividades simples. Preparar um bolo em família ou contar estórias não toma muito tempo e estimula a imaginação e a interação.
• Se o dinheiro anda curto, há sempre programas culturais e artísticos gratuitos.

Base para uma boa vida adulta
De acordo com a psicanalista Dra. Vera Ferrari do Rego Barros, diretora do Serviço de Psiquiatria e Psicologia do Instituto da Criança, de São Paulo, e membro do departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, brincar é vital para o desenvolvimento infantil porque:

É pura energia: as brincadeiras estimulam o desenvolvimento da parte motora. E mais: criança que pula, corre e se diverte tem menos risco de ficar obesa do que aquela que fica horas na frente da TV.

• Facilita o aprendizado: é brincando que se aprende, sobretudo nas fases iniciais da vida.

• Treina para a vida: com casinhas, bonecas e carrinhos, a criança imita os adultos, repetindo experiências que, mais tarde, lhe serão úteis.

• Ensina a resolver situações: ora, a vovozinha; ora, o lobo mau. Alternar brincadeiras permite projetar afetos e promover saudável troca de papéis.

• Estimula a criatividade: quem gosta de brinquedo sofisticado é adulto. Um simples objeto, na mão criativa da criança, pode ser uma festa.

• Facilita a socialização: a criança tem a chance de se relacio- nar com outras crianças, aprende regras e normas.

Como as crianças brincam
Veja como as brincadeiras se desenvolvem conforme a criança cresce:

• 1 ano: o bebê ainda não joga com o outro. Mas gosta de brincar lado a lado com outro de sua idade.

• 2 anos: a criança responde alegremente à folia, divertindo-se ao atirar uma bolinha de volta, por exemplo.

• 3 a 4 anos: a criança entende regras simples e consegue esperar direitinho a sua vez de participar em uma partida ou jogo.

Acerte no brinquedo
Segundo a professora Mariangela Barbato Carneiro, da disciplina de Políticas de Educação Infantil da PUC-SP, há pais que não se envolvem nos passatempos porque não tiveram a oportunidade de brincar na infância! Neste caso, é aproveitar a segunda chance para aprender. E redobrar o cuidado na escolha do brinquedo para o filho, de acordo com cada fase.

Crianças com até um ano gostam de estímulos sonoros suaves e coloridos (chocalhos ou pianos). Até os dois anos, os jogos de encaixe trabalham a coordenação motora. Com quatro anos, as simulações estão em alta, como as cabaninhas (que podem ser montadas com cavaletes e lençóis). A partir dos sete, o principal cuidado é frear o uso dos jogos eletrônicos. É que criança que fica tempo demais na frente do micro não é estimulada a formar amizades e tem mais chances de ter lesões pelo esforço repetitivo.

Jogo limpo
É por meio das brincadeiras que a criança aprende valores, muitos dos quais carregará pela vida inteira, reforça Dra Vera. Portanto, os pais são muito mais do que parceiros de jogo. Devem respeitar as regras e não deixar a criança ganhar de mentirinha num jogo apropriado para a idade dela. Assim, a criança vê que o mundo tem sua organização, que vale para todos. Ou seja: ali, no tabuleiro, está uma boa forma de começar a ensinar noções de cidadania.