
Dr. Manoel de Nóbrega
e Dra. Conceição Segre |
AUDIÇÃO
Detecção precoce
evita prejuízos à fala
O diagnóstico de deficiência auditiva permite que bebê tratado até o sexto mês de vida desenvolva linguagem próxima à da criança normal. A cada mil nascimentos, um a três bebês apresentam alguma alteração da audição, que pode variar de grau. Este número é um pouco maior nos pequenos que precisaram de atendimento nas unidades de terapia intensiva, como os prematuros que nascem com menos de 1,5kg. Neste caso, há duas a quatro crianças em cada cem que apresentam o problema.
Há vários indicadores que sinalizam aos médicos uma possível alteração. Do nascimento aos 28 dias, por exemplo, as principais causas de distúrbios auditivos são:
a existência de casos na família.
doenças infecciosas transmitidas pela mãe, sobretudo a rubéola.
peso inferior a 1,5 quilos no nascimento.
emprego de medicações ototóxicas (que causam danos ao ouvido), caso de antibióticos como a gentamicina.
doenças infecciosas, como a meningite.
O maior desafio é fazer o diagnóstico correto o quanto antes. No Brasil, a alteração ainda leva muito tempo para ser percebida, em média três a quatro anos! Esse atraso é muito prejudicial, alerta o otorrinolaringologista Dr. Manoel de Nóbrega, da Universidade Federal de São Paulo. O fato é que a audição é fundamental para a aquisição e o desenvolvimento corretos da fala e da linguagem.
Estudos recentes realizados por Christine Yoshinaga-Itano e equipe, da Universidade do Colorado (EUA), comprovam que a detecção de alterações e a intervenção iniciada até os seis meses de idade garantem à criança o desenvolvimento da compreensão e da expressão da linguagem, bem como a inclusão social comparável às crianças normais da sua faixa etária.
Caso isso não seja feito, a criança terá de lançar mão de outros recursos para se comunicar, como a linguagem de sinais, explica a pediatra Dra. Conceição Segre, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Pronto diagnóstico
salva comunicação
A boa nova é que a audição pode ser testada logo ao nascimento. Um simples teste, feito 24 horas após o nascimento, é a forma mais eficaz de identificar o quadro. Trata-se do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas, mais conhecido como teste da orelhinha (veja quadro). Ele é simples, rápido e indolor para a criança, que costuma estar adormecida e nem percebe que está sendo examinada. Mas é importantíssimo, pois o resultado sinaliza que tudo está bem ou não na audição infantil.
Caso seja identificada alguma alteração, o próximo passo é fazer novo exame, conhecido como Bera Audiometria de Tronco Cerebral. Se ele acusar problemas, é hora de começar a adoção de medidas corretivas. O ideal é iniciar a intervenção até os seis meses, diz a doutora. A intervenção pode demandar da adaptação de aparelhos de amplificação até a cirurgia, se necessário, orienta a médica.
Identificada a alteração, é vital que pais e familiares busquem apoio médico e psicológico. Além do profissional que está acompanhando o caso, uma dica é recorrer a equipes como o Gatanu (Grupo de Apoio à Triagem Auditiva Neonatal Universal), que presta informações sobre o tema. Iniciado há cinco anos, o Gatanu faz o serviço de intercâmbio de informações entre leigos e profissionais.
Para se ter uma idéia do avanço, em 1998 só existia no Brasil uma única instituição que fazia o teste de orelhinha. Hoje são 150 maternidades fazendo triagem auditiva, explica a fonoaudióloga Dra. Mônica Jubran Chapchap, coordenadora do Gatanu. Além de prestar informações por fax ou e-mail, este órgão educativo ministra mais de 40 palestras por ano em todo o país.
Uma vez que a doença tenha sido identificada e a criança tenha recebido tratamento adequado a tempo, não vai precisar de escola especial e se integrará muito bem à sociedade, explica a Dra. Conceição. Numa sociedade da informação, propiciar a habilidade de comunicar é fundamental.
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Teste permite detecção precoce
Chamado pelos médicos de Exame de Emissões Otoacústicas Evocadas, o teste da orelhinha é simples, rápido, não causa desconforto no bebê e permite diagnosticar precocemente distúrbios auditivos. É que ele é feito na própria maternidade, logo que o bebê completa 24 horas de vida.
Quanto antes for detectada uma deficiência, mais cedo poderá ser iniciado o tratamento e maiores as chances do bebê recuperar a audição, explica Dra. Alessandra Spada Durante, fonoaudióloga responsável pelo Programa de Triagem Auditiva Neonatal no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. |
Após o primeiro mês
Se a audição da criança é normal ao nascimento, os principais fatores de risco para a criança enfrentar problemas nesta área até os dois anos de vida são:
Meningites bacterianas e outras infecções.
Traumatismos do crânio acompanhados de perda de consciência ou fratura.
Otites de repetição.
Veja como é realizado o teste do ouvidinho

1) É feito um estímulo acústico na orelha do bebê.
2) A resposta indica que a audição do bebê em 90% dos ca- sos é normal.
3) A falta de resposta significa que o bebê precisa fazer o teste Bera (Audiometria de Tronco Cerebral).
4) Caso a deficiência seja confirmada, a criança deve ser encaminhada para um especialista para receber o melhor tipo de tratamento.