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Dr. Fábio Ancona Lopez
Presidente da Sociedade de Pedriatria de São Paulo
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Receita
O papel da informação
A Organização Mundial de Saúde definiu um conjunto de atitudes na assistência à saúde da criança, que foram chamadas de ‘ações básicas' de saúde. Essas medidas incluem cinco atitudes: acompanhamento da curva de crescimento e desenvolvimento da criança, vacinação adequada, aleitamento materno, orientação para o tratamento de diarréia, com a introdução do soro ca-seiro, e o acompanhamento adequado de doenças respiratórias na infância - que estão entre as principais causas de mortes de crianças pequenas.
Se pensarmos em cada uma dessas ações, vamos ver que – talvez com exceção ao acompanhamento das doenças respiratórias – as demais não incluem necessariamente preparo médico.
Para saber como é a curva de crescimento da criança, basta a mãe perguntar ao seu pediatra ou em um posto de saúde como é o gráfico adotado como referência. Ela poderá comparar peso ou altura por idade e ter conhecimento de como está o crescimento do seu filho. Com isso, e sabendo que existem limites superiores e inferiores para situações que são chamadas normais, a mãe pode perfeitamente detectar se seu filho cresce numa curva adequada mesmo que não seja acima da média. Caso ocorra, entre uma visita e outra ao médico, um decréscimo da velocidade da curva de crescimento, a mãe detecta e pode até mesmo interpretar como pequenos problemas de saúde interferem eventualmente na velocidade de crescimento do seu filho. Esse conhecimento traz grande tranqüilidade para a mãe já que o crescimento da criança reflete de modo objetivo aquilo que está acontecendo na vida dela – como está se alimentando e crescendo -, eterna fonte de preocupação das mães.Todos nós, pediatras, sabemos que é muito freqüente a queixa materna de que a criança come pequenas quantidades, que não se alimenta de modo a corresponder à expectativa da mãe. Mas desde que o crescimento dessa criança se mantenha em nível adequado e que a sua velocidade de crescimento seja constante, essa queixa corresponde a uma expectativa exagerada do que a criança deve comer.
A mesma coisa acontece com o conhecimento do calendário de vacinações. Na primeira vacinação do filho cabe a mãe perguntar, no local de atendimento, qual é o esquema que deve ser seguido daí para a frente. Manter um calendário atualizado, com as doenças que são prevenidas pelas vacinas, quando elas devem ser tomadas, o número de doses que a criança deve receber e qual a época do reforço é muito importante. O conhecimento das vacinas e a utilização do calendário – que pode ficar exposto na cozinha ou dentro da agenda da mãe – fazem com que o controle de vacinação da criança seja maior.
Da mesma maneira, não é necessário que uma criança tenha problemas sérios ligados à diarréia ou a doenças infecciosas para que, somente então, a mãe se preocupe com isso. O conhecimento básico do que fazer no caso de diarréia, em relação à alimentação habitual da criança , ao tipo de dieta e de como se prepara o soro caseiro vai fazer com que seja atendida ao primeiro sinal da manifestação. Com isso, conseqüências desagradáveis como desidratação podem ser evitadas. Essa postura – que deve ser adotada em todos os casos, incluindo doenças respiratórias - diminui também o número de internações.
E, finalmente, o leite materno, único alimento adequado e suficiente para a criança, que não precisa de complementos, não exige administração de nenhum outro alimento paralelo e é reconhecidamente o melhor promotor do crescimento e desenvolvimento nos primeiros meses de vida. Essas ações básicas de saúde são simples e estão ao alcance de toda a população. Elas devem ser objeto de preocupação das mães, e de toda a família, para que possam atuar imediatamente diante de problemas de saúde banais, mas que podem causar complicações. Melhor do que a intervenção é a prevenção. Essa afirmação é muito mais verdadeira em pediatria porque a prevenção em doenças infantis é seguramente a melhor forma de promover o crescimento adequado das crianças.