Problemas à Vista
Encarando de frente
Após nove meses de espera, ver que o filho nasceu com alguma limitação física e/ou intelectual é um dos momentos mais difíceis para os pais. E são muitos que têm que enfrentar essa situação: da população mundial, cerca de 3% são portadoras de alguma síndrome.
Mas o que são síndromes?
Conjunto de sintomas que podem afetar o comportamento e o desenvolvimento mental e físico de uma pessoa. Algumas descobertas são mais recentes e nem todas as causas são conhecidas. Os sintomas são variados: espasmos, regressões na fala, repetição de gestos, dificuldade para coordenar movimentos, entre outros.
Detecção precoce
“O diagnóstico, quanto antes for feito, melhor para que os pais possam buscar ajuda e tratamento especializado, de acordo com a patologia que o filho apresentar”, orienta Dr. Sérgio Tadeu Marba, presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e diretor do núcleo de Neonatologia da Universidade Estadual de Campinas.
As síndromes não impedem a criança, com orientação e tratamento adequados, de se socializar, aprender habilidades e viver com qualidade.
Sinais de alerta
“Quando uma criança nasce e os pais notam que há algo diferente nela ou que seu desenvolvimento não está evoluindo bem, devem procurar logo um especialista para fazer os testes necessários e obter o diagnóstico correto”, afirma Dra. Chong Kim, do Departamento de Genética da SPSP e chefe da Unidade de Genética do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
“Nos casos de síndromes que causam retardo mental, outras más formações podem ser associadas, como anormalidades nos rins, na coluna, no cérebro, entre outras”, explica Dra. Chong. Por isso, a investigação com exames específicos é aconselhada.
Síndrome de Down
• Afeta 1 em cada 800 crianças
• Causa mais freqüente de retardo mental
• Características físicas comuns – rosto achatado, olhos amendoados, língua proeminente, pele na nuca em excesso, pálpebras caídas
• Costumam ser carinhosas, respondem bem a atividades que estimulem seu senso rítmico e socialização, podem ser alfabetizadas.
Síndrome de Noonan
• Afeta 1 em cada 1.500 crianças
• Manifestações: estatura baixa, pescoço estendido até os ombros, estrabismo e cardiopatia congênita
• Retardo mental leve
• Estímulos ambientais são indicados para que a criança adapte-se ao convívio social.
Síndrome do X-frágil
• Afeta 1 em cada 2.000 crianças
• Segunda causa mais freqüente de retardo mental
• Não há sinais visíveis claros, podem ser observados cabeça maior que o normal e baixa força muscular
• Pode aparecer associada ao autismo
• Acompanhamento profissional pode auxiliar na aprendizagem escolar e estimular habilidades mentais.
Síndrome de Rett
• Afeta 1 em cada 15 mil meninas
• Entre o sexto mês e segundo ano de vida aparecem os sintomas: perda de habilidade manual, crescimento do crânio, perda de peso, movimentos não coordenados ao andar. Retardo mental também é observado.
Síndrome de Angelman
• Afeta 1 em cada 20 mil crianças
• Detectada geralmente por volta dos três anos, a criança apresenta pele mais escura, boca grande, cabeça reduzida e retardo no desenvolvimento neuromotor, comprometendo a fala e a locomoção.
• Terapias de reabilitação podem auxiliar nas deficiências motoras.
Síndrome de Prader-Willi
• Afeta 1 em cada 10 a 20 mil crianças
• Responsável por cerca de 1% dos casos de retardo mental
• No primeiro ano, a criança é toda ‘molinha', e a partir do segundo, apresenta compulsão por comer e se torna obesa. Pode apresentar problemas visuais e respiratórios
• Mediante acompanhamento, as crianças podem ter atividade social e aprendizagem normais.
Qualquer que seja o problema, um ambiente amoroso e estimulante, intervenção precoce e esforços integrados de educação vão influenciar positivamente o desenvolvimento da criança.
Após o nascimento, os pais devem ficar atentos ao crescimento físico e desenvolvimento intelectual da criança, verificando se ela está correspondendo aos padrões esperados.
Mielomeningocele
Além das síndromes, problemas de má formação podem ocorrer, como é o caso da mielomeningocele ou espinha bífida, um dos distúrbios mais comuns do cérebro e da medula espinal que compõem o sistema nervoso central. Pode ocasionar paralisias, aumento do risco de meningite etc. Pode também ocorrer hidrocefalia, quando o líquido da medula acumula no cérebro, com sérias conseqüências. Não há cura. É vital a prevenção, com a ingestão adequada de ácido fólico pela mulher, antes do período de gravidez.
Teste do Pezinho
Obrigatório por lei, o famoso teste do pezinho detecta precocemente algumas doenças que podem causar retardo mental na criança. Isso é feito por meio de gotinhas de sangue que são coletadas com uma picadinha de agulha no calcanhar da criança, entre a terceira e a sétima semana de vida.

Teste do Ouvidinho
Também obrigatório por lei, o teste do ouvidinho, denominado exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOAE), leva apenas um minuto e o bebê não sente nada. Ele é capaz de detectar se há algum distúrbio auditivo que mereça encaminhamento para um especialista. É fundamental que a intervenção seja feita até os seis primeiros meses para que haja maior chance da criança ter sua audição melhorada ou curada, e não comprometer o desenvolvimento da fala e da linguagem que dependem muito da audição adequada, alerta Dr. Manoel de Nóbrega, do Departamento de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Teste da Visão
Três problemas são mais comuns: catarata congênita, glaucoma congênito e retino-patia da prematuridade. Porém, cerca de metade dos casos é diagnosticada e tratada quando a perda visual da criança já é de 80% a 90%. É importante redobrar a atenção.
Doenças respiratórias
Os problemas respiratórios são responsáveis por altos índices de mortalidade. Podem ter origem infecciosa, inflamatória e alérgica. Dentre as mais freqüentes estão: asma, bronquite, pneumonia, gripes e resfriados e rinite. É muito importante saber como prevenir e tratar, porque algumas afecções são crônicas e vão merecer cuidados sempre para garantir qualidade de vida à criança.