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Revista Infertilidade

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Reprodução Humana

O ser humano apresenta uma das mais baixas taxas de gravidez do reino animal, que gira em torno dos 20 a 25% por mês. Após 6 meses a 1 ano de tentativa de gravidez espontânea este índice se acumula para próximo dos 80%. Portanto, diante da ausência de gravidez em casal jovem por mais de 6 meses a 1 ano, deve-se implementar a investigação médica da infertilidade.

Parte destes casais com infertilidade apresenta doença importante das trompas da mulher ou endometriose, ou alterações sérias do sêmen do marido, e daí necessitam de assistência à fertilidade.

A assistência reprodutiva é polarizada em: 1) Inseminação artificial e 2) Fertilização in vitro (convencional ou ICSI).

A inseminação artificial fica reservada para casos mais simples, como a dificuldade da sobrevivência do semen no útero da mulher. É realizada em consultório médico e não necessita de anestesia. Com a identificação do período fértil da mulher, prepara-se o sêmen do esposo e injeta na cavidade uterina. Aqui, a genitália feminina necessita estr perfeita, especialmente as trompas. O índice de gestação gira entre 18 a 25%.

A fertilização in vitro convencional (FIV) está indicada em casos mais severos da infertilidade (trompas comprometidas/sêmen muito reduzido/insucesso na inseminação artificial), sendo considerada de alta complexidade. É preciso indução de ovulação mais potente, internação em centro cirúrgico com anestesia. Colhem-se óvulos da mulher e o semen do esposo e em laboratório promove-se a fertilização. Após 2 a 5 dias, os embriões (até 3) são transferidos para a cavidade uterina. O índice de gestação gira em torno de 30 a 45%.

A injeção intra-citoplasmática de semen (ICSS), que está indicada para casos mais severos como a redução limitante da quantidade e qualidade dos espermatozóides e mulheres com mais de 37 anos. Após a indução e coleta dos óvulos sob anestesia, manipula-se em máquina especial a penetração do gameta masculino no óvulo. Trouxe a paternidade para homens que jamais a teriam, mesmo na FIV convencional, sendo que tem índice de gestação semelhante a esta última.

Atualmente, a tecnologia permite a biópsia embrionária (retirada de células do embrião) em laboratório e a investigação genética do mesmo, o que favorece a tranferência apenas dos embriões normais do ponto de vista dos cromossomos.

Dentro da assistência à reprodução, pode-se implementar a partir de preceitos éticos, a doação de óvulos e o útero de substituição (barriga de aluguel). A primeira está indicada para mulheres onde o ovário não é funcionante (exemplo: menopausa precoce), onde a mesma recebe os óvulos de uma outra mulher saudável e realiza-se a FIV com o semen  do próprio esposo. A segunda se aplica em mulheres, onde o útero não é funcionante, onde após a realização de FIV a partir de óvulos e espermatozóide próprios, transfere-se para o útero de outra mulher saudável.

O congelamento de espermatozóides, de óvulos e de embriões completa o arsenal de suporte para as técnicas de reprodução humana assistida.

Assim, a ciência tem o dever de promover a felicidade humana, sendo que através da tecnologia reprodutiva permite a instalação do sentimento de amor familiar completo ao casal sem filhos.

 * Dr. Waldemar Naves do Amaral (Presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana)

 

DICAS

 

* Infertilidade - o que é?

É a ausência de gravidez por pelo menos uma ano de vida sexual ativa, sem a utilização de métodos contraceptivos, durante o período de idade fértil do casal.

* Pré-requisitos para que a fecundação ocorra.

- relação sexual no período próximo à ovulação

- espermatozóides produzidos pelos testículos em número e qualidade adequados

- ovários normais, capazes de responder aos estímulos hormonais e determinar o crescimento, amadurecimento e liberação de um óvulo maduro

- trompas com função preservada para captar o óvulo, permitir a fertilização e proporcionar nutrição para o embrião, garantindo seu transporte até o útero

- útero que permita o desenvolvimento do embrião até que exista maturidade para a vida extra-uterina.

 

* Principais causas.

NA MULHER:

- distúrbios hormonais que impeçam ou dificultem o crescimento e a liberação do óvulo

- problemas nas trompas ou tubas uterinas provocados por infecções e cirurgias

- ovários policísticos

- endometriose

- muco cervical que impede a passagem dos espermatozóides

NO HOMEM:

- ausência da produção de espermatozóides

- pouca mobilidade dos espermatozóides

- espermatozóides anormais

- diminuição do número de espermatozóides

- dificuldades na relação sexual

(vasectomia e laqueadura são métodos que devem ser considerados como definitivos. A reversão, além de depender de cirurgia, não garante o sucesso para uma gravidez. Os especialistas indicam para estes casos a adoção da fertilização in vitro)

 

20% dos casais que pretendem ter filhos encontram algum tipo de dificuldade ligada à infertilidade.

Por isso, sempre que possível, adote medidas que podem ajudar na hora que planejar aumentar a família.

- não fume

- controle suas emoções (a ansiedade poderá prejudicar o processo de concepção)

- boa alimentação (a obesidade, as alterações metabólicas e os problemas de pressão arterial interferem na função ovariana)

- cuidado com infecções provocadas por doenças sexualmente transmissíveis. Use preservativo.

- lembre-se que o melhor período para a mulher engravidar é entre 18 e 35 anos.

 

 

 

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